RUBERLEI LEME DO PRADO – Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Implantodontia pelo Instituto Velasco/Universidade São Marcos. Você pode fazer o download completo do artigo clicando aqui!
1. INTRODUÇÃO
Desde os primórdios o ser humano se preocupa em substituir os elementos dentários perdidos através de próteses dentárias e, nessa busca incessante, vários materiais foram utilizados como experimentos.
Esta afirmação é comprovada, em um museu na Universidade de Harvard, onde em um fragmento de mandíbula, identificado como da era pré-colombiana, encontram-se três esculturas em pedra negra em formato de dentes que apresentam boa quantidade de tártaro (RIBEIRO, [s.d.]).
Arame de ouro foi o material usado por gregos e fenícios para fixar dentes artificiais em dentes vizinhos ao espaço edêntulo (FERNÁNDEZ-BORDEAU JR & FERNÁNDEZ-BORDEAU, 1998)
Com o avanço nas diversas áreas do conhecimento, chegou-se à criação de materiais apropriados para substituir os dentes perdidos. A porcelana foi descoberta em 1710 por Büttger na Saxônia e utilizada pelos franceses Duchateau e Chemant em 1774.
A fusão do osso ao titânio foi descrita a primeira vez em 1949 por Bothe et al. Em 1952, Bränemark iniciou estudos extensivos experimentais, sobre a circulação microscópica na circulação da medula óssea, estudos esses que levaram à colocação de 60 implantes dentários. Em meado da década de 60, foi observada a integração por 10 anos em cães, sem reações adversas em tecidos moles ou duros. Em 1965, iniciou os estudos em humanos com acompanhamento por 10 anos e relatados em 1977. É definida como um contato direto entre osso vivo e superfície do implante, a osseointegração. Ninguém influenciou tanto quanto Branemark os conceitos de implantes com formato radicular (MISCH, 2006).
No Brasil, os estudos iniciaram-se por volta da década de 50, mas somente na década seguinte começou a se registrar os trabalhos executados.
A reabilitação bucal por meio de implantes osseointegrados é hoje uma opção de tratamento, com alto índice de aceitação estética e funcional, mostrando vantagens se comparada a outros métodos de reabilitação.
Não se pode negar a existência de vantagens de implantes osseointegrados, porém esse tratamento promove alguns questionamentos entre os profissionais, como por exemplo:
-qual a melhor forma de procedimento ao se planejar o tratamento protético sobre o implante?
-vantagens e desvantagens: parafusar ou cimentar?
Esses questionamentos por sua vez, direcionam-se para o propósito central desta pesquisa, que pretende discutir aspectos comparativos relacionados as vantagens e desvantagens das próteses parafusadas x próteses cimentadas sobre implantes osseointegrados, tendo como ponto de partida estudos realizados sobre o tema auxiliando o profissional na escolha do sistema.
2. PROPOSIÇÃO
Apresentar, por meio de revisão de literatura, as vantagens e desvantagens, bem como as indicações das próteses parafusadas e cimentadas implantosuportadas.
3. REVISÃO DE LITERATURA
3.1 PRÓTESES CIMENTADAS
DIAS et al. (1996) observaram que a carga oclusal sobre os implantes osseointegrados é um fator determinante no bom êxito da prótese a longo prazo. Relataram como grande vantagem nas próteses cimentadas facilidade de confecção e o custo, e que implantes fora do alinhamento podem ser reposicionados através de sobrefundições ou usando-se pilares angulados. Afirmaram que, a proximidade com acidentes anatômicos, espaço interoclusal e reabsorções ósseas desfavorecem a relação coroa/implante, comparada a prótese convencional.
AGAR et al. (1997) estudaram e compararam as superfícies dos pilares após removerem três tipos de cimento: ionômero de vidro, fosfato de zinco e resina. Concluíram que o processo de remoção do cimento da margem subgengival, entre a restauração protética e os pilares transmucoso, resultaram em ranhuras no pilar ou na remoção parcial do cimento; e a presença de cimento no sulco periimplantar leva a irritação dos tecidos moles, sendo necessário que a margem do cimento seja de maneira a manter relação com a margem da mucosa, com pouca profundidade e perfil de emergência adequado.
DELIGA & CARDOSO (1997) destacaram as vantagens do sistema de fixação das próteses implantosuportadas cimentadas, quando os implantes estão em posição desfavorável à reabilitação estética, corrigindo desparalelismos dos implantes em até 30 graus, através da utilização de sobrefundição no pilar protético. Outra vantagem apontada, é a facilidade na confecção clínica e laboratorial com custo reduzido, comparado as parafusadas.
HEBEL et al., (1997) apresentaram como vantagens das próteses cimentadas a passividade e a estabilidade, por serem cimentadas sobre implantes préfabricados e as discrepâncias com respeito a fixação serem compensadas pelo uso do cimento. As estruturas não passivas são ajustadas geralmente por procedimentos de rotina clínica. Nas próteses retidas por parafuso, o corte da estrutura metálica e soldagem não são procedimentos de rotina. A falta de orifícios para fixação por parafusos fazem a prótese cimentada ser mais resistente as fraturas do material de revestimento estético. Afirmaram que próteses cimentadas proporcionam maior acessibilidade em região posterior da cavidade bucal, reduzindo o custo, a complexidade de componentes, o tempo clínico e uma estética superior.
JAEF & DELIGA (1998) afirmaram que primeiramente deve-se conhecer o paralelismo presente entre os implantes, para depois fazer a escolha do sistema de fixação da prótese. Citaram como vantagem, quando da existência do paralelismo, utilizar a técnica do pilar desgastado em próteses cimentadas. Outra vantagem é o fator econômico, sendo que o dentista realiza o preparo sem necessidade do custo laboratorial. Destacaram também, que nos casos de pilar desgastado, pode-se fazer
o uso de uma prótese provisória ou intermediária, funcionando como uma avaliação definitiva, quando a técnica for viável. Porém, a desvantagem é o design do pilar preparado na região de molares, comparado com o preparo em dente natural. Afirmaram que o preparo terá sempre uma base menor, traduzindo em um sobrecontorno da prótese, o que levará o paciente a consultas constantes com um periodontista para manutenção de higiene.
SCHNETZLER NETO et al. (1999) concluíram que próteses cimentadas são preferíveis às aparafusadas, exceto, em caráter imperativo, situações onde
coroa/implante são desfavoráveis e espaço inter-oclusal reduzido.
SULLIVAN (1999) afirmou que os novos designs e a utilização de torquímetros em componentes protéticos, oferecem pré-cargas iniciais aos parafusos, aperfeiçoando a fixação do pilar ao implante, tanto nas cimentadas quanto nas parafusadas. Afirmou também que, a única razão para utilizar o parafuso de retenção, seria se o longo eixo do implante estivesse em inclinação palatina, na região anterior, contra-indica as cimentadas quando implantes estão mal alinhados, com paredes axiais que se tornam diminuídas ao buscar o paralelismo durante o preparo perdendo a retenção do pilar, e espaços interoclusais extremamente diminuídos.
Segundo VALBÃO JR et al. (2001), próteses sobre implantes cimentadas e parafusadas apresentam vantagens e desvantagens quanto ao critério adaptação marginal e formação de stress. Relataram que a desadaptação marginal é menor nas parafusadas. Porém, pelo torque dos parafusos geram mais stress. Portanto pelo ponto de vista biomecânico, consideram próteses cimentadas 80% melhores dissipadoras de stress gerados durante a instalação das próteses.
BARRETO & TUNES (2003) justificaram o uso de próteses cimentadas utilizando o pilar protético personalizado, quando a resolução protética for desfavorável, houver implantes mal posicionados, leito receptor inadequado onde não foi possível enxertia óssea, imperícia profissional, corrigindo variações vestíbulo lingual e profundidade de sulco periimplantar. Quanto às parafusadas, os autores concordam que o fator reversibilidade é a maior vantagem. No entanto, fatores como estética, assentamento sem passividade em próteses extensas e, dificuldade de intermediários para correção de implantes mal posicionados, faz desta técnica uma desvantagem.
BARBOSA & FEDUMENTI (2006) declararam que caso não exista uma técnica perfeita para fixação da coroa protética ao pilar do implante, deve-se escolher a que mais se aproxima do ideal, analisando vantagens e desvantagens de cada sistema e indicações. Concordaram que a prótese cimentada é mais fácil de se confeccionar, e o tipo de fixação prótese/pilar independente do sistema, não interfere na direção das cargas.
3.2 PRÓTESES PARAFUSADAS
CLEPPER (1997) destacou que as próteses fixas podem ser parafusadas diretamente sobre os implantes, utilizando um cilindro plástico (UCLA), reproduzindo por meio de enceramento e fundição a porção cervical do implante, diminuindo o custo final do trabalho, ou parafusadas em pilares intermediários. Afirmou que na escolha do segundo caso os custos são mais elevados, e que a maior vantagem da parafusada é sua reversibilidade.
MISCH (2000) considerou princípios biomecânicos e estéticos, em implantes anteriores superiores, pois necessitam de uma posição de inserção mais lingual para próteses parafusadas, do que para cimentada, onde o parafuso será inserido no cíngulo da coroa. Implantes em região anterior vestibularizada, podem refletir uma estética desfavorável. Observou que a falta de um assentamento passivo das próteses parafusadas, tem sido um dos fatores de insucesso. Afirmou que é improvável a fabricação de restaurações retidas por parafuso com passividade absoluta, ficando a cargo do dentista, minimizar, através de ajustes, as alterações dimensionais que ocorrem durante a confecção das supraestruturas. O stress causado pelas restaurações não passivas é aliviado com a remodelação óssea, promovendo reabsorção da crista alveolar, que leva a um desequilíbrio biomecânico entre o braço de resistência e o braço de potência, que são os componentes protéticos. Essas condições podem gerar fratura destes componentes ou perda da prótese. Observou que os resultados são mais desfavoráveis nas próteses parafusadas quanto ao índice de fratura de porcelana no recobrimento oclusal, comparadas às cimentadas, pois concentram um aumento de força no material restaurador. Em relação às próteses retidas por cimento, o pilar de titânio é polido e sem retenções, pois os agentes cimentantes não têm tanta aderência, um cimento mais duro pode ser usado e ainda ser removido prontamente. Recomenda o cimento de zinco por ser o mais fácil de ser removido, comparado aos ionômeros de vidro e resinosos. O autor considerou ser as cimentadas mais simples e rápidas para se confeccionar, de fácil remoção e limpeza, porém, ao removê-la, arranhões não devem ser feitos com escariadores no sentido vertical na direção ao rebordo ósseo, para que não haja uma colonização bacteriana na margem da coroa, que pode migrar através desses arranhões. Na análise do autor, próteses parafusadas são mais complicadas tecnicamente, pois necessitam de componentes laboratoriais como transfers de moldagem, análogos, copings e parafusos, aumentando o tempo de tratamento, e custo. Quando da sua remoção, exigem mais tempo, tendo que remover a restauração de acesso ao parafuso, a camada de guta-percha e o parafuso.
Segundo PONTUAL & SIQUEIRA (2000) a prótese com microparafusamento lateral é uma opção excelente, pois possui a estética das próteses cimentadas, sem
o risco do parafuso central fraturar ou afrouxar, porém os microparafusos são delicados, podendo facilmente ser perdidos no laboratório clinico ou mesmo serem deglutidos pelo paciente, incluindo também a dificuldade de insersão.
SCHLICKMANN & ZANIOL (2000) destacaram desvantagens das próteses parafusadas comparada às cimentadas do ponto de vista estético, pelo fato dos orifícios em dentes posteriores ficarem na oclusal, não permitindo uma continuidade na superfície oclusal, enfraquecendo a resistência protética e comprometendo a oclusão. Porém, os autores salientaram que a reversibilidade da fixação é uma vantagem que não deve ser desprezada, principalmente nos casos que necessitam de um controle de higiene. Observaram que em casos onde se tem uma boa retenção friccional, pode-se fazer o uso de agentes cimentantes em crescente de força, até alcançar a retenção almejada e bom vedamento marginal. Afirmaram que a principal vantagem das próteses parafusadas é a fixação em áreas de pouca dimensão vertical.
WILLIAMSON (2000) observou através da análise radiográfica de um caso clínico, que houve desadaptação após instalação de prótese implantosuportada parafusada unitária, sendo necessário, neste caso, a retirada da prótese e sua reinstalação. Salienta que prótese mal adaptada entre coroa e implante, contribui para fadiga mecânica de componentes, formação de um local propício para colonização bacteriana, interferência oclusal e perda óssea. Afirma que para uma maior durabilidade, é necessário uma adaptação precisa e passiva.
MARTINS FILHO & AOKI (2002) por meio de pesquisas, para determinação da superfície oclusal ocupada pelo orifício do parafuso protético sobre implante, em regiões de pré-molares e molares, obtiveram a área efetiva de mastigação, diminuindo a área total pela área utilizada pelo orifício do parafuso. Concluíram que, pré-molares e molares em prótese parafusada, acompanhando os princípios biomecânicos, é uma opção favorável para restabelecer o funcionamento do sistema estomatognático.
Segundo NADIN et al., (2003) através de um estudo comparativo entre prótese implantosuportada cimentada, parafusada por acesso oclusal e retida por parafuso lateral, afirmaram que a desvantagem de uma prótese cimentada é não permitir a manutenção para aperto das conexões. Sugeriram a técnica do parafusamento lateral, que reúne as vantagens da prótese cimentada e da parafusada, embora com suas limitações. Salientaram que a vantagem do parafusamento lateral está no alinhamento do arco, retenção da prótese, estabilidade, e a reversibilidade para uma manutenção quando necessário. Porém em regiões de dentes inferiores, o fato é que a língua pode interferir no ajuste do parafuso. Nos pacientes com sobremordida acentuada, é necessário uma altura mínima de 2 mm para colocar o parafuso nos dentes superiores.
SCHALCH et al., (2003) basearam-se em estudos longitudinais em próteses implantosuportadas, para avaliar a previsibilidade clínica a longo prazo. As principais complicações encontradas são: patologias de mucosa, periimplantar, soltura do pilar protético e fratura do parafuso de retenção.
FRAGOSO et al., (2005) demonstraram através de caso clínico, em que se confecciona prótese total fixa maxilar implantosuportada parafusada, confeccionada a solda a laser da infra estrutura, alcançou-se desajustes marginais aceitáveis, atendendo os requisitos funcionais e estéticos.
Segundo STÜKER et al., (2005) o processo de solda a laser da estrutura metálica em prótese implantosuportada, é uma alternativa viável para uma melhor adaptação de uma estrutura metálica. Porém, é um processo de alto custo e poucos laboratórios dominam a técnica.
Para ADOLFI (2006), implantes em posição tridimensional incorreta vai, ocorrer um comprometimento no perfil de emergência, não conseguindo corrigir com componentes pré-fabricados ou personalizados. Nesses casos, o autor indicou o parafusamento lateral lingual, ou próteses parafusadas diretamente sobre a cabeça do implante.
SANTOS et al., (2006) estudaram aspectos biomecânicos que influenciam a transmissão de cargas no sistema. Observaram que não existe um consenso, porém é necessário para uma melhor dissipação nas cargas oclusais, utilizar princípios da dentição natural.
3.3 PRÓTESE CIMENTADA E/OU PARAFUSADA
BEZERRA & ROCHA (1999) salientaram que pela baixa elasticidade dos componentes sobre implante, seja parafusada ou cimentada, para evitar sobrecarga do sistema de retenção é necessário um planejamento preciso. Destacaram os benefícios que as próteses parafusadas oferecem, como reversibilidade para manutenção de higiene, avaliação dos tecidos periimplantares e implantes, que é fundamental para preservação do trabalho realizado. Próteses cimentadas sobre implantes podem usar pilares personalizáveis, tornando o processo de restauração simples e de baixo custo. Em casos de coroas curtas, sugere-se preparos paralelos com inclinação de 5º nos pilares, aumentando a retenção friccional. Observaram que a grande vantagem das cimentadas é a estética e a função mastigatória. Porém a grande desvantagem é a irreversibilidade. Portanto, para solucionar a problemática das parafusadas quanto à estética, propuseram o uso de incrustações de inlay em cerâmica no orifício do parafuso de retenção. Consideraram que o procedimento é uma alternativa simples e de fácil execução. Salientaram que, quando o acesso se posiciona em pontos de cúspide, é possível o planejamento de uma prótese parafusada com qualidade estética e funcional. Afirmaram que, em restaurações múltiplas e pacientes com necessidade de remoção constante para controle de higiene, se torna um trabalho de alto custo.
CHEE et al., (1999) afirmaram que as próteses implantosuportadas cimentadas e parafusadas, apresentam vantagens e limitações diferentes, entre elas a reversibilidade da parafusada, maior variedade de componentes transmucoso e protéticos, indicados em casos de espaço oclusal diminuído. Observaram que, o contato oclusal principal, é na fossa central, podendo ocupar de 50 a 66% da mesa oclusal e geralmente é desenvolvido na cabeça do parafuso ou no material restaurador. Sugeriram novos componentes com travamento geométrico na conexão pilar-implante que aumentariam a estabilidade e rigidez conjunto. Estes novos componentes permitem o uso de pilares preparáveis com conicidade de 7,5 graus, melhorando a retenção de próteses unitárias cimentadas. Relataram que empresas como Frialit, Paragon e Calcitek disponibilizam estes componentes.
SPIEKERMANN (2000) comparou próteses implanto-suportadas, parafusadas e cimentadas, e afirmou que a vantagem da supraestrutura cimentada está na facilidade da construção. Entretanto, só podem ser utilizados em condições intraorais favoráveis em relação à trajetória de inserção e posição marginais de coroa. Ressaltou que próteses parafusadas podem ser fixadas por parafuso em direção oclusal ou cervical; sua vantagem é o acesso a reparos, porém, o autor declarou como desvantagem a complexidade técnica. Relatou que forças oclusais devem ser direcionadas no longo eixo do implante, objetivando através de uma parada cêntrica, localizada na fossa central da coroa retida ao implante.
SAHIN & CEHRELI (2001) garantiram que todos os recursos clínicos e laboratoriais aplicados na confecção da estrutura metálica das próteses implantosuportadas são ineficazes para se obter um assentamento passivo absoluto.
Mesmo com o uso de espaçadores plásticos para compensar alterações dimensionais, um assentamento ideal não foi conseguido. Concluíram que uma adaptação marginal aceitável não traduz uma passividade e, portanto, torna-se desnecessária para o sucesso do trabalho. Afirmaram que o único método para avaliar, em nível de tensões e passividade in vivo, nas próteses cimentadas ou parafusadas, são os medidores de tensão. Porém, ressaltaram ser este um procedimento sofisticado e inviável para o cotidiano de uma clínica odontológica.
FERNANDES NETO et al., (2002) relataram que muitos pilares preparáveis foram desenvolvidos com a idéia de facilitar a execução e simplificação técnica no tratamento de próteses implantosuportadas. Alertaram que interesses comerciais se sobrepõem a real indicação do sistema de fixação. Ressaltaram que, para próteses parafusadas, os critérios relevantes como reversibilidade em casos de reparo e manutenção de controle de higiene, presença de cantiléver e pequenos espaços interoclusais são grandes vantagens. Quanto às cimentadas, os pilares preparáveis levam vantagem em manter os contornos gengivais e continuidade do sulco gengival, facilitando a remoção do cimento intrasulcular. Porém, nas próteses cimentadas, o uso de pilares preparáveis em espaços reduzidos e implantes em posição desfavorável, implicam em preparos sem retenção. Tanto em peças unitárias quanto múltiplas, o resultado final pode ser comprometido.
AQUINO & ALVES (2006) afirmaram que os sistemas de fixação para as próteses implantosuportadas cimentadas ou parafusadas apresentam prós e contras e que a decisão do profissional deve ser baseada no conhecimento desses fatores e nas necessidades físicas e psicológicas do paciente.
CONDÈ et al., (2006) citaram alguns aspectos que precisam ser conhecidos pelos profissionais para a escolha do sistema de retenção, para indicação de uma prótese sobre implante cimentada ou parafusada. São esses os critérios: econômico, biológico, funcional, estético e biomecânico. No critério econômico, sugerem não utilizar prótese transparafusada ou a utilização de pilares fundidos em ligas não nobres, retida diretamente ao implante, quanto mais componentes em uma prótese, maior o custo. No entanto, quanto maior a quantidade de componentes em uma prótese melhor a distribuição de força e mais resistência ao sistema. Para evitar sobrecarga ao implante contra indicaram restaurações unitárias parafusadas, podendo levar à fratura do parafuso. Obsevaram que no critério biológico, durante a cimentação pode ocorrer excesso de resíduos no sulco gengival, podendo desenvolver periimplantite. Cuidados também quanto ao excesso e manipulação do cimento pode gerar desajustes oclusais, compromentendo a função mastigatória e adaptação marginal, fato que não ocorre nas próteses parafusadas por não usar o agente cimentante. Quanto ao critério funcional, a função mastigatória fica comprometida quando o parafuso de fixação está centralizado na coroa protética. Afirmaram os autores que próteses cimentadas possuem superfície oclusal previamente ajustadas e contatos precisos. Consideraram que a inclinação ou posição em demasia para lingual do implante, pode gerar a necessidade de um sobrecontorno de porcelana causando resultados desfavoráveis em próteses parafusadas, em relação ao critério estético. Os autores mostraram no critério biomecânico sua preferência pelo sistema de conexão implante, pilares préfabricados e o uso de parafusos novos com torques apropriados, pois diminuem o risco de afrouxamento do parafuso.
Segundo FREITAS et al., (2007) os princípios de estabilidade e retenção utilizados nas próteses implantosuportadas cimentadas e prótese fixa convencional são os mesmos. Porém, o fato de fabricantes de pilares produzirem pilares com convergência de 6º graus, aumenta 3 vezes mais a retenção, podendo fazer o uso de cimentos temporários para fixação em caráter definitivo. Destacaram que o orifício de fixação ocupa de 50 e 60% da mesa oclusal nas próteses parafusadas, e pela necessidade de uma restauração do orifício do parafuso, os contatos e o desempenho oclusal são comprometidos. Afirmaram os autores que, a grande vantagem das próteses parafusadas é a reversibilidade, nos casos onde se necessita uma profilaxia periódica e presença de cantilever. Citaram como vantagem das próteses cimentadas, a adaptação e o perfil de emergência gengival, dando um caráter de naturalidade e integridade da superfície lingual e oclusal.
RODRIGUES & RIBEIRO (2007) avaliaram que, as vantagens apresentadas pelas próteses cimentadas, em comparação às parafusadas, pelo uso de espaçadores de troquel, são mais passivas, por garantir espaço para o cimento, compensando alterações dimensionais geradas durante a confecção da estrutura, a partir de: moldagem, obtenção de modelos de gesso, enceramento, fundição e aplicação de material estético. Outras vantagens apontadas pelos autores são: baixo custo, facilidade de confecção, melhor direcionamento de cargas, melhor acessibilidade, redução de perda de crista óssea, menor tempo de confecção e menor incidência de complicações. Quanto às parafusadas, os autores citaram as seguintes desvantagens: maior fadiga dos materiais empregados, por aplicar a força de torque recomendada para o parafusamento; estética dificultada e higienização complicados pelo perfil de emergência causados pelos contornos excessivos; riscos de deglutição ou aspiração de chaves ou parafusos que se soltam.
ALBOUY et al., (2008), através de uma análise retrospectiva de 1939 implantes dentários, comparativa entre próteses cimentada e próteses parafusadas, utilizaram como método, um grupo de 527 pacientes, analisados entre janeiro de1997 e dezembro de 2003. Mostraram vários fatores fundamentais para o sucesso a longo prazo destes trabalhos, dentre eles: estética, recuperabilidade, passividade, oclusão, facilidade e custo. Resultou em 762 casos de próteses cimentadas para 1551 implantes colocados, um índice de sobrevivência de 98,4%, acompanhados em 34,7 meses. Em 84 próteses retidas por parafuso, foram colocados 330 implantes, com um percentual de sucesso de 100%, acompanhados em 44,3 meses. Concluíram que, cada tipo de próteses apresentam vantagens, desvantagens e limitações, cabendo ao profissional ter o conhecimento para aplicação em cada situação clínica.
4. DISCUSSÃO
A revisão de literatura propiciou ao leitor uma visão geral acerca dos problemas relacionados à escolha dos sistemas envolvidos: parafusar ou cimentar, indicação, vantagens e desvantagens.
A análise comparativa dos artigos estudados, aponta evidências de sucesso das próteses sobre implantes, e este sucesso está relacionado a vários fatores que não dependem exclusivamente do sistema de fixação, mas também as características das próteses instaladas.
Vários autores apontaram a reversibilidade como principal vantagem das próteses parafusadas, pois permite a remoção da prótese em casos de reparo, ajustes, manutenção de higiene e troca de parafusos (BEZERRA & ROCHA, 1997; CLEPPER, 1997; CHEE et al,, 1999; SCHLICKMANN 2000; SPIEKERMANN, 2000; FERNANDES NETO et al., 2002; BARRETO & TUNES , 2003; NADIN et al., 2003 ; FREITAS et al., 2007).
Os autores, entre eles (SCHNETZLER NETO, 1999; SULLIVAN, 1999; SCHLICKMANN, 2000) são unânimes ao afirmar que, em espaços com dimensão vertical diminuída, próteses parafusadas são de indicação imperativa e de fácil remoção.
Discorda MISCH (2000) dos autores supracitados, afirmando que, o processo de remoção de uma prótese parafusada é demorado, uma vez que, faz-se necessário a remoção dos materiais que estão sobre o parafuso. Este autor prefere a prótese cimentada, pelo fato do pilar de fixação ser polido e sem retenções, e portanto de fácil remoção.
Os defensores do sistema de prótese cimentada (DIAS et al., 1996; BEZERRA & ROCHA, 1997; HEBEL et al., 1997; SCHLICKMANN, 2000; MISCH, 2000; BARRETO & TUNES, 2003; FREITAS et al., 2007) advogam como fatores determinantes e favoráveis à escolha pelas próteses cimentadas, os seguintes itens:
- a estética, devido a adaptação de um perfil de emergência gengival e a integridade na porcelana da superfície oclusal e lingual;
- facilidade de execução, seguindo os princípios clínicos da prótese sobre dentes;
- baixo custo, devido a pouca quantidade de componentes empregados
As coroas parafusadas podem apresentar oclusalmente deficiências na mastigação, quando o orifício do parafuso acomete áreas funcionais, (SCHLICKMANN, 2000; FREITAS et al., 2007; RODRIGUES & RIBEIRO, 2007).
Porém, MARTINS FILHO & AOKI (2002), pesquisaram e afirmaram que, apesar do parafuso ocupar parte da superfície oclusal dos pré-molares e molares, a área resultante promoverá uma eficiente mastigação.
MISCH (2000) e RODRIGUES & RIBEIRO (2007) concordaram que na prótese cimentada o assentamento é mais passivo do que na parafusada, devido o uso de espaçadores de troquéis, para manter um espaço para a camada de cimento, que compensará as alterações dimensionais na confecção das estruturas metálicas.
SAHIN & CEHRELI (2001), concluíram que, por não se conseguir passividade de assentamento com tensão igual a zero, consideraram a passividade de assentamento questionável.
Concordaram os autores (NADIN, 2003; ADOLFI, 2006; PONTUAL & SIQUEIRA, 2000) que a prótese com parafusamento lateral reúne as vantagens das cimentadas e parafusadas, salientando que existem limitações em casos de pouca altura cérvico-oclusal da parede palatina para alojar o parafuso, e, nos casos de dentes inferiores, a língua pode interferir no aperto do parafuso.
VALBÃO JR et al., (2001), consideraram próteses cimentadas melhores dissipadoras de cargas geradas durante a instalação das próteses.
Contradisseram BARBOSA & FEDUMENTI (2007) afirmando que independente do sistema, não haverá interferência na direção das cargas.
Concordaram (DIAS et al., 1996; DELIGA & CARDOSO, 1997; FERNANDES NETO et al., (2002); BARRETO & TUNES, 2003) que a utilização de pilares preparáveis ou sobrefundições, tanto em casos unitários como múltiplos, alcançando paralelismo e estética, fazem as próteses cimentadas mais vantajosas.
5. CONCLUSÃO
Baseado na discussão conclui-se que:
- Prótese cimentada apresenta maior facilidade de execução, baixo custo e estética.
- Maior facilidade de higienização e reparo pelo profissional, para prótese parafusada.
- Prótese com dimensão cérvico-oclusal reduzida tem melhor indicação com parafusadas.
- Não há unanimidade entre os autores sobre qual seria a melhor opção.
- Conhecimento e domínio técnico determinam a melhor indicação.
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