Overdenture: Revisão de Literatura

RAPHAEL ANDRETO DIAS – Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Implantodontia pelo Instituto Velasco/Universidade São Marcos. Você pode fazer o download completo do artigo clicando aqui!

 

1. INTRODUÇÃO

Na reabilitação dos pacientes desdentados com próteses totais convencionais, uma grande preocupação dos pacientes e do profissional está relacionada ao arco inferior, por ter menor área de suporte. Assim, a prótese total inferior apresenta menor estabilidade e retenção quando comparada à superior. A falta de retenção e estabilidade da prótese diminuem a habilidade e conforto na mastigação.

Devido a esse problema, diversas técnicas foram idealizadas na tentativa de reverter tal situação, visando um aumento da retenção do rebordo, como exemplo, aprofundamento de sulco, enxerto autógeno, câmaras de sucção, fixadores, etc. Muitas destas técnicas não tiveram êxito ou não se mostraram tão duradouras.

Assim, com o surgimento da osseointegração, as opções de tratamento para pacientes desdentados modificaram-se, passando a incluir tratamentos com melhores resultados. Um dos protocolos utilizados é a instalação de dois implantes que auxiliarão na retenção e estabilização desta prótese, trazendo mais conforto e satisfação ao paciente portador de prótese total.

2. PROPOSiÇÃO

Este trabalho tem como objetivo a revisão bibliográfica das overdentures mandibulares retidas por dois implantes, através dos sistemas de retenção barra clipe e sistema o’ring.

3. REVISÃO DE LITERATURA

ADEII et ai., (1981) em um estudo com duração de 15 anos, comprovaram a eficiência do tratamento com implantes osseointegrados ao relatarem o alto índice de sucesso obtido em seus casos. Segundo os autores, com a possibilidade de fixação das próteses aos implantes, o problema da falta de retenção das próteses em pacientes completamente desdentados é praticamente eliminada.

NAERT et ai., (1988) após estudos com duração de dois anos e meio, analisaram pacientes portadores de overdentures mandibulares. Após essa análise, observou-se uma taxa de sucesso de 97,7% no tratamento com overdentures. Segundo a pesquisa, todos os pacientes relataram melhora das funções e uma maior confiança no uso da prótese. Os autores atribuiram o sucesso do tratamento a uma localização favorável dos implantes, garantindo retenção e estabilidade da prótese.

QUIRYNEN et ai., (1991) em um período de estudos com duração de 4 anos, analisando pacientes portadores de overdenture, verificaram um índice de satisfação de 99% destes pacientes. Os autores preconizam a instalação de dois implantes paralelos conectados por uma barra reta. Sendo assim, segundo os autores, durante a função mastigatória a overdenture possui um movimento de rotação ao redor da barra, ficando suportada sobre a mucosa. Afirmaram ainda, que, para a manutenção da saúde periimplantar, a barra deve estar posicionada entre 1.8 a 2.9 mm distante da mucosa para facilitar a higienização.

NAERT et ai., (1991) em um estudo com duração de 4 anos, encontrou uma alta taxa de sucesso nas próteses overdentures mandibulares fixadas por barra clipe a dois implantes. Segundo os autores, a prótese overdenture é uma excelente solução para a reabilitação funcional, estética e psicossocial do paciente.

MEl RELES et ai., (2000) realizaram um estudo laboratorial analisando a força necessária para desconectar dois tipos de retentores de overdenture (barra clipe, o’ring). Este estudo foi elaborado através de corpos de prova em resina, onde eram fixados os componentes barra clipe e o’ring e em seguida conectado às fêmeas. A avaliação da retenção dos dois sistemas foi obtida por uma máquina de ensaio de tração (EMIC modelo DL 1000), com célula de carga de 500 N e velocidade entre 0,5 e 1 mm/mim, sendo realizados 5 ensaios em cada retentor. Os autores concluíram que o comportamento do sistema de retenção pode ser associado à área de contato entre macho e fêmea, e que quanto maior a área de retenção maior a força para remoção. O sistema barra-clipe indicou superioridade nas forças para remoção em relação ao sistema o’ring. Porém, os dois sistemas de retenção são capazes de equilibrar uma prótese tipo overdenture retida por dois implantes devolvendo a função mastigatória e estética ao paciente.

SPIEKERMANN (2000) citou que o correto posicionamento da barra no seguimento anterior da mandíbula, é paralela ao eixo de rotação da mandíbula (eixo intercondilar), e a distancia entre implantes deve ser de 22 a 24 mm.

WAL TON et ai., (2002) realizaram um estudo comparativo entre dois métodos de retenção: sistema o’ring e barra clipe. Observaram que os pacientes estavam igualmente satisfeitos quanto à melhora na função mastigatória, conforto e estética, se comparado às próteses convencionais. Porém, os autores sugeriram ser

o uso do sistema de retenção do tipo barra clipe mais viável aos pacientes devido, à  alta taxa de manutenção exigido pelo sistema o’ring.

THOMASON et ai., (2003) analisaram a satisfação de pacientes com prótese total convencional inferior e com overdenture inferior retida a dois implantes, com o sistema de retenção o’ring, ambos com antagonista próteses totais convencionais. Para essa análise utilizaram 60 indivíduos entre 65 e 75 anos, divididos aleatoriamente em dois grupos, e analisaram o conforto, estabilidade, habilidade na mastigação e dicção. Os autores observaram que ambos os grupos relataram maior satisfação com as novas próteses após seis meses. Entretanto, os pacientes que receberam as overdentures, tiveram uma satisfação geral aproximadamente 36% maior do que os pacientes que receberam próteses convencionais.

FERREIRA et ai., (2003) em um estudo comparativo entre o número de implantes necessário para estabilizar uma overdenture, relataram que um grande percentual de pacientes com reabsorção severa da mandíbula e reabilitados com dois implantes consideravam o trabalho ruim devido a mobilidade da prótese, e que  o melhor grau de satisfação dos pacientes foi obtido com quatro implantes.

TOKUHISA et ai., (2003) realizaram um estudo em laboratório através de um modelo de mandíbula, contendo dois implantes que suportavam uma overdenture com diferentes tipos de retenção (barra clipe, o’ring). O objetivo foi analisar as forças transmitidas aos implantes e os movimentos das próteses. Concluíram que o sistema barra clipe é mais retentivo que o o’ring, porém o o’ring com anel de retenção é mais vantajoso, pois proporciona otimização das tensões transmitidas aos implantes com uma estabilidade satisfatória.

WAL TON (2003), durante 3 anos realizou um estudo comparativo entre dois tipos de sistema de retenção: barra clipe e o’ring. Ambos eram utilizados para reter uma prótese overdenture inferior a dois implantes mandibulares, tendo como  antagonista uma prótese convencional. O propósito era determinar se existia

diferença quanto a manutenção protética. Como resultado, observou que 60% dos o’rings necessitaram de reparos e 8% de substituição. Assim, concluiu que a barra clipe foi melhor sucedida, necessitando de 20% menos manutenção.

FRAGOSO et ai., (2005) concluíram que no arco inferior, a instalação de dois implantes e a utilização de uma infra-estrutura parafusada (sistema de retenção barra clipe) aos implantes, e a retenção da prótese por um clipe é suficiente para permitir ao paciente uma prótese com estabilidade e retenção, restabelecendo a função mastigatória e satisfação do paciente.

FERNANDES NETO et ai., (2005) indicaram o uso do sistema barra clipe quando há um espaço protético maior, ou quando os implantes não estão paralelos entre si. Os autores também citaram que a ocorrência de hiperplasia gengival e reações inflamatórias da mucosa ocorrem com maior frequência sob a barra, se a localização dos implantes estiver muito distante da linha mediana. A união dos implantes por uma barra reta implicaria em um sobre contorno lingual enfraquecendo a base da prótese, além de trazer desconforto ao paciente; esta situação indica a utilização do sistema o’ring. O sistema o’ring, segundo os autores, fornece também uma ótima retenção da prótese, além de ser mais fácil de higienizar. Porém, os autores relataram que muitos pacientes têm dificuldade na direção de inserção da prótese para o encaixe bola, implicando em danos precoces do anel de borracha, exigindo substituições mais frequentes.

AQUINO et ai., (2005) citaram que o uso do sistema o’ring confere uma ótima retenção à prótese com amortecimento das forças não-axiais, devido a presença do anel de borracha presente na fêmea do sistema. Já o sistema barra clipe não permite movimentos verticais, não ocorrendo amortecimento direto das forças.

GOIATO et ai., (2006) relataram que o sistema barra clipe fornece retenção mecãnica direta entre implantes e prótese, e se esta barra for reta e unida a dois implantes irá gerar um eixo de rotação para a prótese. Relataram também, que os retentores esféricos permitem a rotação da prótese, facilitando a higiene através dos implantes (fator importante para pacientes idosos), e que a incorporação do sistema de retenção é fácil e de baixo custo.

LANG et ai., (2006) citaram que o sistema barra clipe é superior em qualidade em relação ao sistema o’ring. E que parece não haver nenhuma diferença estatística em overdentures mandibulares retidas por dois implantes, quando comparadas com as retidas por três ou mais implantes.

RODRIGUES (2007) afirmou que o sistema o’ring é mais vantajoso em relação a satisfação do paciente, mas nos casos de implantes não paralelos (divergência acima de 8 graus) o sistema sofre perda rápida de retenção por desgaste do anel de borracha. O autor ainda afirmou que o sistema barra clipe exige maior habilidade do paciente para higienização, e a distãncia dos implantes deve ser de aproximadamente 20 mm, pois barras maiores estão sujeitas a deformação, e as menores não permitem o total aproveitamento dos clipes, pois quanto menor o clipe menor a retenção.

ANZALONI SAAVEDRA et ai., (2008) em estudos clínicos prospectivos com pacientes portadores de overdentures mandibulares, puderam observar que dois implantes são suficientes para satisfazerem as necessidades do paciente. Mas, avaliando os componentes de retenção, os autores puderam concluir que o componente barra-clipe apresentou maior capacidade de retenção e menor complicação protética, porém apresentou maior percentual de mucosite e hiperplasia gengival. Já o sistema o’ring forneceu menor retenção e necessitou de maior manutenção protética, mas forneceu aos pacientes menos problemas periimplantares devido à facilidade de higienização.

4. DISCUSSÃO

o descoofrrto na utiliza;ao de uma IXctese tetal sem estooilidooe, gera no paciente insegurança no ato de fal a: e durante a alimentaçao perante outras pessoas Com a possibilidade da utiliza;ao de implmtes para melhora: a estabilidade destas próteses, podemos devor.er aos pacientes a segJrm ça, conforto, habilidade mastigatéfia e tocb seu convívio social (ADELL ef ai, 1001, NAERT ef ai, 1988; aUIRYNEM ef ai, 1991, TOMASSON efal, 2003)

A reabilitaçoo protética destes pocientes pode ser sducionada com a instalaçao de dois impantes (FRAGOSO ef ai, 2005; LANG ef ai, 2006; ANZAlONI SAAVEDRA ef ai, 2008), melhorando a estabilidade e retenç oo desta prótese Porém, alguns mtrres relatam que hOLNe casos de paciootes que reclamam da movimentaçao da prótese retida pJr dois implmtes somente, principalmente nos casos de mandibulas extremamente reabsorvidas (FERREIRA et a/., 2003). O tipo de sistema de retenção também influencia diretamente na estabilidade e retenção destas próteses, o sistema bana-clipe apresenta uma grande área de retenção

(MEIRELES et ai. , 2000; TOKUHIZA et ai., 2003; ANZALONI SAAVEDRA et ai. , 2008) estabilizando e retendo com eficiência a prótese (MEIRELES et ai., 2000; TOKUHIZA et ai., 2003), além de permitir uma melhor reabilitação nos casos de implantes não paralelos (FERNANDES NETO et ai. , 2005; RODRIGUES, 2007).

 

Porém, esse sistema necessita de um espaço protético maior, e a distância ideal dos implantes deve ser próximo a 20 mm, facilitando a instalação de um ou dois clipes, o que garante aproveitamento máximo da retenção. Distâncias maiores podem levar a uma deflexão da barra e, distâncias menores, a uma menor retenção do clipe (SPIEKERMANN, 2000; RODRIGUES, 2007).

A barra deve esta posicionada paralela ao eixo intercondilar, assim permitindo a movimentaçao posterior da prctese no <1:0 da masbgaçao (SPIEKERMANN,2000)

o sistema barra clipe é contra indicam para os implantes localizados muito distantes da linha mediana, pois a uniao por uma barra reta implicaria em um sobre­contorno lingual muito grande, fri)]ilizando a prótese e causando dificuldades à fala do pociente (FERNANCES NETO ef ai, 2005)

Esse sistema exige uma habilidade maior do paciente para higienizar a baITa, pois é comum o surgimento de hiperplasias, mucosite e inflamações gengivais sob a barra devido ao grande acumulo de placa bacteriana (FERNANDES NETO et a/. , 2005; ANZALONI SAAVEDRA et a/., 2008).

Para facilitar a higienização, a barra deve estar de 1,8 a 2,9 mm de distância da gengiva (OUIRYNEN et a/. , 1991). O sistema barra clipe tem a vantagem de apresentar uma baixa necessidade de manutenção protética (WAL TOO et aI., 2002). Já o sistema oring apresenta um auto índice de manutenção protética (WALTON et ai., 2002 e 2003; ANZALONI SAAVEDRA et a/., 2008). Se os implantes não apresentarem paralelismo, os pacientes terão dificuldades na direção de inserção desta prótese, levando a um desgaste precoce do anel de borracha e a necessidade de subst~uição do mesmo (FERNANDES NETO et a/., 2005, RODRIGUES, 2007). Porém, o sistema tem a vantagem de permitir uma distribuição das forças mastigatórias sofridas pela prótese devido a presença do anel de borracha interno. Essa dstribuição já não acontece no sistema barra clipe (TOKUHIZA et aI., 2003 ; AQUINO et a/., 2005). Devido a seu formato, os o’rings facilitam a higienização, exigindo menos habilidade manual (comum em pacientes mais idosos), que a barra­clipe, diminuindo a chance do aparecimento de problemas periimplantares  (FERNANCES NETO et ai, 2005; GOIATO et ai, 2006; ANZALONI SAAVERDA et al,2008)

5. CONCLUSÃO

1. sistema barra clipe é mais eficiente na retenção das próteses, e necessita de menos manutenções, comparado ao sistema o’ring.

2. sistema o’ring é mais fácil de higienizar, diminuindo os problemas periimplantares.

3. sistema o’ring é o mais resiliente, levando assim menos carga aos implantes, porém permitem uma maior mobilidade da prótese, o que deixa muitos pacientes insatisfeitos.

Para a indicação correta de qual sistema de retenção utilizaremos, devemos avaliar detalhadamente, em cada caso, fatores como: idade do paciente, habilidade motora, espaço inter-oclusal, posicionamento dos implantes e expectativas do paciente.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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